Juliana de Faria é jornalista, editora e faz-tudo no site que ela explica como “um think tank dedicado a elevar o nível da discussão sobre feminilidade nos dias de hoje”, o Think Olga. Ali, propõe um viés feminista sobre vários assuntos e lançou alguns projetos de grande repercussão: o Chega de Fiu Fiu, um mapa colaborativo sobre assédio nas ruas, com mais de mil denúncias e que vai virar documentário (de R$ 20 mil pedidos no Catarse, site de financiamento coletivo, o projeto arrecadou R$ 64 mil com mais de 1200 apoios); e a campanha Entreviste uma mulher, para conectar especialistas mulheres em todas as áreas com jornalistas e pretende diminuir a diferença entre as fontes masculinas e femininas utilizadas pela imprensa.

Em 2015, após comentários pedófilos nas redes sociais sobre uma menina de 12 anos que participava de um reality show de culinária na TV a cabo, lançou uma campanha online chamada #primeiroassédio, em que convidava mulheres a relatar seus casos. Numa primeira análise, tiveram uma repercussão com mais de 82 mil pessoas utilizando a hashtag para contar suas histórias, apenas no Twitter. A campanha foi também traduzida depois para #firstharassment e levou o assunto para a mídia internacional.

O Chega de Fiu Fiu poderia não ser considerado, inicialmente, um projeto jornalístico tradicional. Mas sem dúvida poderia ser visto como jornalismo colaborativo, em que milhares de pessoas contribuem com uma determinada pauta – e aí é sem dúvida um caso especial de sucesso de participação do público, de timing no lançamento de campanhas participativas, de estratégia de divulgação e ao mesmo tempo defesa de um ponto de vista.

 

Levar nosso discurso para a prática e desenhar produtos, objetos, experiências e cidades que levem em conta as necessidades específicas das mulheres. Um exemplo? A arquitetura de ambientes públicos não enxerga as diferenças de gêneros e podemos perceber isso pelas filas dos banheiros. NAna, ada pode ser mais injusto do que construir toaletes do mesmo tamanho para homens e mulheres quando o uso deles não é o mesmo. O resultado são as esperas infinitas para usar o sanitário que todos conhecem. Essas falhas não precisam se eternizar.(Juliana de Faria, em entrevista ao IdeaFixa)

 

SAIBA MAIS

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A campanha no Catarse

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