Um dos mais famosos e bem sucedidos newsgames brasileiros, gênero que mistura jornalismo e videogame. Recentemente até mesmo o Ministério das Comunicações abriu edital para os chamados “jogos sérios”, games de conteúdo educativo ou jornalístico. Neste caso, a revista Superinteressante convocou filósofos para uma disputa de ideias. Você pode escolher ser Nietzsche, Sartre e Simone de Beauvoir, Platão, Santo Agostinho, Maquiavel, Rousseau, Descartes ou Marx e usar seus punhos como argumento no rosto do oponente. Destaque para os golpes especiais de acordo com cada personagem. Simone, por exemplo, arremessa sutiãs, e Sartre, que negou receber o prêmio Nobel, atira-o em seus adversários.

Importante notar que a Revista não produziu apenas o newsgame para a web, mas também um infográfico para a versão impressa, perfis dos filósofos para as redes sociais – onde eles já brigavam entre si, com “memes” ou frases conhecidas em diálogos sobre determinados assuntos, e vídeos teaser que circularam no YouTube.

 

Por que é considerado um sucesso

Teve 150 mil visualizações nos primeiros 45 dias, segundo Fred Giacomo, produtor do newsgame. Segundo ele, foi também top 10 do semestre e até hoje deve ser um dos 50 conteúdos mais acessados da SUPER.

O conteúdo transmídia, inovador, também abriu a possibilidade para novos anunciantes e novos públicos.

 

Acho que o simples fato de ser um formato novo já valoriza a marca e atrai novos anunciantes. Isso aconteceu na Superinteressante. Muitos patrocinadores começaram a procurar a revista para divulgar propagandas em formato de jogo. Então os newsgames ajudaram a consolidar uma imagem digital que atraiu publicidade diferenciada.

Também tivemos uma experiência de cobrança quando testamos jogos sociais. A Superinteressante lançou, no final de setembro de 2011, seu primeiro game para Facebook, “Quiz City“, no qual o jogador constrói uma cidade e a vê crescer enquanto responde perguntas sobre conhecimentos gerais. Nesse jogo, testamos um sistema de micropagamentos no qual os usuários compravam créditos no Facebook ou assinavam a revista para ganhar moedas e continuar a construção da cidade. Poucas pessoas investiam enquanto jogavam. A nossa intenção não era fazer um jogo viciante e que estimulasse a vaidade das pessoas, como costumam ser os jogos pagos, mas ainda assim foi uma experiência interessante. Precisamos pensar também se esta é a melhor forma de rentabilizar newsgame. A Zynga, uma das maiores produtoras de social games pagos, está em crise, então eu não apostaria nesse caminho, até porque você acaba não priorizando a informação e a melhor mecânica para o jogo. Ainda temos muito que testar, ainda estamos só no começo.

Passamos um mês apurando quais seriam os filósofos mais ilustrativos para o projeto, levando em consideração sua importância para a história da Filosofia, mas também a pertinência de transformar seus pensamentos em golpes. Um newsgame só funciona se for informativo e divertido. Definimos, também, as principais regras do jogo num trabalho que envolveu além de mim e o Raoni, o designer Daniel Lazaroni, o editor Kleyson Barbosa e a colaboração do repórter Breno Castro Alves. (Fred Giacomo)

 

SAIBA MAIS

Bastidores do projeto 360º da Superinteressante.

A fronteira entre o jornalismo e o entretenimento

Filosofighters faz sucesso no exterior.