Bruno Torturra está à frente do estúdio de jornalismo Fluxo, baseado num antigo edifício do centro de São Paulo e autodefinido como “um território onde repórteres, cinegrafistas, fotógrafos, editores e artistas podem explorar novas possibilidades para o jornalismo. Na linguagem, no conteúdo e nas relações entre comunicadores e público”. O Fluxo tem produzido algumas das melhores entrevistas e debates sobre atualidades políticas, normalmente em vídeo, com transmissão online. Tem buscado o modelo de financiamento por assinaturas, o chamado “crowdfunding recorrente”, com contribuições mensais de R$ 15 a R$ 100 em troca de descontos em produtos e cursos.
Torturra ficou conhecido nacionalmente pelos episódios de cobertura em tempo real pelo celular das manifestações de junho de 2013, quando tiveram um ápice de 100 mil pessoas acompanhando ao vivo uma transmissão da Mídia Ninja – o equivalente a 1 ponto de audiência no Ibope da TV aberta, e mais do que a TV Cultura consegue obter em muitos momentos de sua programação, com toda sua estrutura.
Em 2014, já afastado da Mídia Ninja, apostou em abrir uma redação própria, o Fluxo, e tem realizado diversas coberturas e entrevistas nas áreas de direitos humanos, política e drogas, assuntos de sua especialidade.

Alguns tem defendido micro-bolsas para bancar pequenas produções independentes, mas não me parece um saída estrutural. Revisão de leis, de marcos regulatórios, é um caminho também. Tenho falado diversas vezes em um modelo de negócio para o jornalismo parecido com o Netflix ou Spotify. Não sei como isso seria feito, mas pode ser um caminho. (entrevista, 2015)
“Eu definiria nossas fontes de receita como um modelo misto: apoio direto do público em contribuições mensais, apoio de algumas organizações para projetos específicos e também com eventos aqui no estúdio. Estamos tentando provar que um modelo de negócio para a imprensa emerge junto o com seu público”, (DRAFT, 2015)
“A viabilidade do jornalismo está no público. Se ele perceber que o poder da comunicação está nas mãos dele, ele vai valorizar o conteúdo e vai querer pagar. Na hora em que for tão fácil dar um real quanto um ‘like’, o jornalismo está salvo” (ITAU CULTURAL, 2015)

Por que é considerado um sucesso
Dentro de um cenário de crise da imprensa tradicional, é um ambiente independente, jornalísticos, de cobertura de assuntos pouco atrativos para publicidade, que consegue sobreviver depois de quase fechar as portas, apostando sobretudo num recorte bem específico: audiovisual, transmissões ao vivo, entrevistas.
Como gera retorno?
Apoios de organizações, doações recorrentes (poucas) e prestação de serviços, como reportagens e transmissões online de eventos. Em outubro de 2015 conseguia ter três jornalistas contratados fixos, além de um andar alugado em um edifício no centro de São Paulo. Outro retorno, pessoal, tem sido o reconhecimento pela inovação traduzido em convites para aulas e palestras (pagos ou não) para Bruno Torturra.

SAIBA MAIS

Quem falou que jornalista não pode ser empreendedor?
Repórteres apostam no jornalismo independente contra crise.