O sonho que compartilhávamos era explorar com radicalidade novas linguagens a fim de modificar o padrão de reportagens texto-e-foto da Agência Brasil. Um dos temas da pauta foi justamente explorar a ideia de várias camadas interativas para contar uma história tendo no vídeo a plataforma principal. Não sabíamos como, mas queríamos fazer o Nação Palmares. Antes, a gente pastaria bastante.

Rodrigo Savazoni, editor-chefe à época da produção em 2007

A agência pública de comunicação online, Agência Brasil, vinculada à empresa EBC, publicou em 2007 uma das primeiras experiências de webdocumentário produzida nas redações do Brasil (no mesmo ano, a Agência Brasil havia lançado o projeto Consumo Consciente, com links dentro de vídeos – os hipervídeos – testando o formato que viria a ser mais desenvolvido no Nação Palmares). Feita na tecnologia Flash, que na época despontava como única maneira de construir interatividade em vídeos (não havia o HTML5), venceu no ano seguinte o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, categoria internet.

A história trata de remanescentes de quilombolas, povos descendentes de escravos que lutam por seus direitos e suas terras. Envolveu cerca de 10 pessoas, diversas viagens e uma equipe parceira no Rio Grande do Sul, o Coletivo Catarse. Partia de uma narrativa principal, com diversos hiperlinks de vídeos, textos e outros conteúdos durante a exibição principal. Atualmente esta é uma tecnologia que o próprio YouTube oferece, mas na época precisou ser desenvolvida pela equipe da Agência Brasil.

Hoje não é mais possível acessar o conteúdo original, no entanto uma versão linear da história continua online. No YouTube ainda é possível assistir aos vídeos complementares de maneira individual também.

SAIBA MAIS

Um estudo de caso do documentário na internet: Nação Palmares (pdf)

Making of Nação Palmares